NÚCLEO CINEMATOGRÁFICO DE DANÇA

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(grupo de estudos)

BLOW UP

[VOL. 2]

SIDE A / SIDE B

 

TRANSE EM TRÓPICO

A partir de Agosto, o Núcleo dá início à segunda fase dos estudos do processo TRANSE EM TRÓPICO, junto ao grupo de pesquisa 16 mulheres e ½ que está aberto a novos integrantes. Convidamos todxs aqueles interessadxs e descabidxs para dividir nossas inquietações. Nosso desejo está em compartilhar novas proposições por meio de múltiplos olhares, elaborar e experimentar dispositivos e ferramentas de criação em dança e performance. Será um coletivo para experimentações, uma residência, alegria alegria, uma manifestação, um êxtase coletivo. Os encontros acontecerão semanalmente como um espaço de reflexão e práticas coreo-performativas.

O processo será dividido em dois módulos. O Módulo I com foco no desdobramento das investigações acerca de qualidades, dinâmicas, partituras de movimento e programas performativos nascidos na primeira fase do processo. O Módulo II compreende elaborações e experimentações dramatúrgicas com os materiais que serão levantados ao longo do Módulo I. 

Através de instruções e dispositivos de criação, seremos provocados a pensar, sentir,  mover e re-imaginar a prática artística como espaço vital comum. Podemos juntos encontrar outras saídas? Como sair do estado de apatia e re-existir por meio do gozo do encontro? Como captar do outro o que é pura intensidade? 

TRANSE EM TRÓPICO. A coisa é. Imprevisível, eufórica, desejável, vulgar, embaraçosa, indecente, nervosa, obscena, sagrada, selvagem, grotesca, histérica, furiosa, perversa, louca, lúdica, insustentável, assustadora, frenética, perigosa, cambaleante, mortal, sem intenção. A coisa é. Ser trópico, estar nos trópicos, antropofagia, clichês, estereótipos, jardinagem e canibalismo. Sair de si. Mudança das condições anteriores, trânsito da forma. Permitir ser tomado pela força de uma ação, deixar escapar, desviar. Alucinações perceptivas, anestesia, amnésia, alterações no eletroencefalograma. Transe. Transe entre afetos respiratórios. Os ritmos, os pulsos repetitivos que nos convidam de novo e de novo e de novo à transformação da alteridade. Um corpo entorpecido pelos padrões cíclicos. O êxtase. O êxtase como o ínfimo momento do revirar dos olhos. Como trânsito de um estado para outro, de uma forma para outra, de ser um para ser outro. Forças despossessivas. Abraçar o caos, o estranho, o desconhecido. A dança que escapa ao controle. Celebração. Festa. Saliva. Do riso ao gozo. Encantamento, arrebatamento, entusiasmo, arroubo, deslumbramento, enlevo, assombro, euforia. Alegria Alegria. Sintetizadores e estrobos. Baladografia. Tensionamento entre um corpo em estado de paixão, intensidade, febre, calor, impulso, alta vitalidade, high-fi e um corpo low-fi, em estado de distração, respiro ao músculo e ao sistema nervoso. Defeitos colaterais. Um ritual, uma explosão coletiva.

TODAS AS SEGUNDAS DAS 19H ÀS 22H

Módulo I - de 12 de Agosto a 28 de Outubro de 2019

Módulo II - de 04 de Novembro a 16 de Dezembro de 2019

Local: Espaço Diogo Granato - Rua Alves Guimarães, 1374. São Paulo-SP (próximo ao Metrô Sumaré)

 

LABORATÓRIO
Experimentos explosão, coreografia e improviso

O Núcleo Cinematográfico de Dança compartilha alguns de seus processos, repertório coreográfico, ferramentas e dispositivos de criação investigados ao longo dos anos – gerando novas provocações, procedimentos, práticas e reflexões.

Os encontros serão compostos de preparação corporal, exercícios de escrita e de movimento a partir da elaboração de instruções, experimentação, partituras coreográficas, jogos de improviso, composição e apreciação. A linguagem da improvisação como modo de exercitar e potencializar as micro-negociações que acontecem no instante da ação por meio da escuta, da disponibilidade e da presença. Rever, revirar-se em vontade e desejo com o outro.

O laboratório será divido, ao longo do semestre, em três movimentos. Estamos interessadxs no trânsito da velocidade para a duração, do acúmulo para a síntese, do desastre para o restauro.

Movimento 1

a dança que escapa ao controle. O que você faz quando se sente fora do lugar? Quando o corpo parece não ter cabimento? Corpos persistindo em qualidades como repetição, acumulação, resistência e aceleração. Ocupação de espaços públicos por meio de situ-ações. Interessa aqui o jogo perceptivo proposto pela relação com o espaço vivido, entre corpo e cidade. A atenção fragmentada pela paisagem. Como esses espaços interferem em nossos processos? Como podemos nos aproximar ainda mais do espaço da cidade? Transpor momentos das experiências na cidade para a sala de dança.

Movimento 2

como extrair algo de poético da imagem de uma explosão? Quais as diferentes nuances de uma explosão? Qual a intensidade dos pulsos em vários níveis e direções? A imagem da explosão e suas características de acontecimento, que alimentam o corpo em suas possibilidades motoras, afetivas e imaginativas. Desenvolvimento e realização de procedimentos\experimentações, tendo como estímulo as propriedades físicas e químicas que identificam os explosivos, dentre elas: balanço de oxigênio (negativo/positivo), sensibilidade do explosivo, calor/ temperatura da explosão, volume/pressão da explosão, densidade, estabilidade do explosivo, velocidade da explosão, potência específica/poder de fragmentação. Alguns programas-performativos poderão ser concebidos, compartilhados e realizados pelos participantes, ocupando espaços públicos da cidade como “experimentos de explosão”.

Movimento 3

experimentos a partir de uma idéia de síntese e supressão de elementos. Investigar uma harmonia entre controle e descontrole. Um estudo sobre padrões que vão se repetindo, no corpo e entre corpos, os gestos e os minúsculos desvios que geram complexidade. Tatear a leveza e experimentar o equilíbrio dinâmico entre corpos. Quem propõe o movimento? Quem interrompe? Quem fala, quem escuta? Como nos movemos juntos? Como negociar nossas necessidades?

Estudos para criação e composição do movimento serão sugeridos tendo como foco o estado de iminência que deflagra a potência anterior à uma explosão de movimento e o estado de quietude que se instaura após uma grande demanda de energia despendida, gerando toda uma reorganização gravitacional do peso.