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Transe em trópico - processo 2019

A partir de fevereiro, o Núcleo inicia um novo ciclo e deseja dividir seu novo processo de criação. À procura de saídas possíveis queremos dividir nossas inquietações.


Neste contexto de adversidades políticas e econômicas, do colapso ecológico, de polarização e esgotamento social em que as estruturas do Estado moderno se fragilizam, nos fragilizam, nos vemos cercados por um processo acelerado e exaustivo de um escurecimento do porvir. Talvez, e justamente por ser esse um momento de certa hiperatividade passiva, seja necessário potencializar um corpo capaz de atuar no deslocamento e transformação de sua apatia, de seu desgaste, de seus próprios destroços. Mover-se para vislumbrar ficções e criar a realidade da qual temos necessidade. Mudar o ponto de observação e considerar o mundo e nós mesmos sobre uma outra lógica, outra ótica. Podemos juntos encontrar outras saídas? Como sair do estado de apatia e re-existir por meio da ironia e do deboche? Como captar do outro o que é pura intensidade? Como se permitir ser tomado pela força de uma ação, criando uma espécie de transe, em êxtase com o outro?


Esse processo acontecerá dentro do grupo de estudos 16 Mulheres e 1/2. Será um coletivo para experimentações, uma festa eletrônica, uma residência, alegria alegria, um bloco de carnaval, uma manifestação, uma folia em bando.


Os encontros acontecerão semanalmente como um espaço de reflexão e práticas coreo-performativas. Através de instruções\ dispositivos de convivência, seremos provocados a mais do que simplesmente pensar, seremos convocados a sentir, a mover, re-imaginar a prática artística como espaço vital comum.

Este processo será dividido em 3 módulos ao longo do primeiro semestre, sempre às segundas das 19 às 22h.


CORPO COMO DEBOCHE [ Módulo I – de 04/02 a 25/03 ]

Deboche porque dá ênfase ao espírito de paródia, à ironia, ao exagero, ao plágio, à alegorização, à disparidade entre a expressão e a intenção, à dissonância entre o desejo humano e a dura realidade, ao absurdo, à estética grotesca e carnavalesca do mundo, ao arrebatamento.


EXIT #01 – de.bo.char: troça, zombaria, gozação, chacota, mangação, escárnio, sarcasmo. Zombar explícita e veementemente; escarnecer. Questionar e parodiar os modelos estereotipados, brincar com os clichês que insistem em escorregar, estabilizando ou paralisando nossos corpos, movimentos e imagens, atravessando nossos processos na vida e na arte. ________________________________

CORPO COMO ÊXTASE [ Módulo II – de 01/04 a 20/05]

Sair de si. Mudança das condições anteriores, trânsito da forma – literalmente uma trans-forma. Permitir ser tomado pela força de uma ação, deixar escapar, desviar. Alucinações perceptivas, anestesia, amnésia, alterações no eletroencefalograma. Transe. Tensionamento entre um corpo em estado de paixão, intensidade, febre, calor, impulso, alta vitalidade, high-fi e um corpo low-fi (minimal-wave), em estado de distração, respiro ao músculo e ao sistema nervoso. O som como estímulo. Os ritmos, os pulsos repetitivos que nos convidam de novo e de novo e de novo à transformação da alteridade. Um corpo entorpecido pelos padrões cíclicos. Êxtase como o ínfimo momento do revirar dos olhos para cima, ou “olhos tão baixos que não conseguimos ver sua expressão. O abismo se torna algo indicado, interior, e todos os elementos convergem por sucção, ou por implosão delicada…” (Arthur Omar)


EXIT #02 – êx.ta.se: encantamento, arrebatamento, entusiasmo, arroubo, deslumbramento, enlevo, assombro, euforia, transporte. Êxtase como condição daquele que está emocionalmente fora de si ou tomado por sensações adversas, intensas e contundentes de prazer, alegria, medo etc. Prazer vivíssimo, gozo íntimo, causado por uma grande admiração. A terra em transe. ________________________________

CORPO COMO FESTA / ALEGRIA / BADERNA [ Módulo III – de 27/05 a 15/07] Selvagem. Selvagem porque se dispõe a abraçar o caos, o estranho, o desconhecido. Ser trópico, estar nos trópicos, antropofagia, clichês, estereótipos, outridade, “ninguendade”. É o encontro, a bagunça do diálogo, o deboche, a ironia, transe e trânsito, jardinagem e canibalismo. O desejo da folia em bando, a desordem que provoca a criação. A descompostura, a fuzarca, a zoeira, a zona, a zorra que dá visibilidade ao descabimento de um corpo que, apesar de oprimido, resiste no prazer. Alegria Alegria. Gozar em tempos de fascismo. A dança que escapa ao controle. Festa.


EXIT #03 – ba.der.na: situação em que reina a desordem; confusão, bagunça; boêmia, noitada, conflito entre muitas pessoas; rolo, confusão, patuscada, farrear. A desobediência como manifestação de que há algo errado no sistema. A força de uma ação coletiva, por meio de um estado que está além da concentração, alterando a consciência, uma suspensão, um ritual, o transe, o êxtase, uma explosão coletiva

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