Transe da Falha no Trópico do Vírus de um Projeto de Mundo Falido

16 de março de 2020, tentamos a continuidade dos encontros do grupo de estudos do transe em tropico em modo virtual dado a quarentena de precaução pelo vírus COVID-19 que se espalha rapidamente pelo mundo. Eu não acreditava no que escrevia ano passado quando fizemos nossa carta “Brasil 2019” e o absurdo que era considerar a realidade daquelas conjunturas, mas parece que o “Brasil 2020” será mais apocalíptico ainda. Estou com medo. Estou claustrofóbico dentro desse apartamento que moro. Estamos presos para nos precaver de continuarmos presos por mais sabe-se lá quanto tempo. E nós “podemos” estar presos, porque quem não tá, está em risco e só pq ainda é obrigado a bater cartão. E ainda tem o SUS, a periferia, a Itália. Enfins, CAOS. Muita informação.

Percebo nesse modo de encontro virtual que ele é impossível (tirando as falhas tecnológicas, e nem to falando disso). É que parece que o Encontro só acontece na presença mesmo. Pelo menos minha incapacidade em desenvolver alguma das propostas das corajosas Mariana e Maristela, se deu por isso. Pela falta de calor humano, proximidade real do outro- que mesmo há 5m de distância existe um outro ali que se comunica corporalmente com você, estar só é estar só, não há referência tecnológica que suporte isso, e é muito louco, não sei nem pensar sobre. Foi de uma estranheza absurda, nada fazia sentido, não era real. Pelo menos isso tudo vai servir para nos lembrarmos do presente/importância que é o encontro na vida humana. O presente que é encontrar o outro que sempre nos será desconhecido e imprevisível. E que o humano, finalmente, talvez seja alimentado por isso – que paradoxalmente “seria” a causa do medo e da angústia, o desconhecido. Mas nós necessitamos isso, encontro real entre humanos, comunidade, afeto por proximidade, pele, carne, o novo, a rua, o real.

Mariana e Maristela são as mulheres mais corajosas que conheço, fincam as garras na persistência das possibilidades, abrem caminhos fundos pra gente ser possível. Eu só confio e agradeço, que nos acostumemos e moldemos essas possibilidades virtuais daqui pra frente, algo há de ser possível, e com a mãozinha dessas duas fica tudo mais fácil e mais divertido e mais possível mesmo para o que parece sem saída. Mesmo que tornemos todas as impossibilidades em trabalho e criação. Toma essa MUNDO.

Percebo também o quanto a tecnologia é arcaica no fim das contas, ela promove o desencontro? Promove com falhas ridículas de conexão mas desenvolveu tão bem em outros aspectos. Mas nos controlou também, enfim. Uma catástrofe por vez... Maristela e Mariana mostram que é possível até da falha e da falência – não surgir – mas fazer algo disso. Temos essa capacidade. O Transe em Tropico não rola do jeito que estava rolando, então que seja o Transe da Falha no Trópico do Vírus de um Projeto de Mundo Falido a Beira de Cinco Catástrofes por Dia a Beira do Fim do Mundo – PUF EXPLODIU. Explosão, sistema nervoso central, e lá vamos nós de novo... Apoios e ativação viral dos nervos tensionando e relaxando. Leveza X Tensão.

No final das contas, parecíamos todos surtados dançando sozinhos em suas casas enquanto todos se vigiam, o grande surto do tarantismo do vírus do corona. Mas acho que era isso mesmo.


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