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Sobre aquilo que pulsa e já está, está em todas as descontinuidades


Sample.


Aquilo que persiste, que repete, que sobra, que volta

um sample precisa ser um pedaço fragmento específico de forma de mover?

E se o sample for o que eu quero dizer, o que eu estou sentindo, o tema, o guarda-chuva maior onde cabem todos os movimentos e formas de mover?


Em conversa no ônibus com a Estelinha e mais tarde compartilhando com todos na roda

as descontinuidades no trabalho, ou as diferentes propostas de movimentos, muitas vezes opostas, que trazem movimentos/corpos diferentes, é justamente para que possamos observar o que se repete, o que persiste, o que sobra. Pois aquilo que somos e já está, aquilo que pulsa e já está, está em todas as descontinuidades.


A Mariana Taques falou sobre decantar. Cada um pode ter seu modo de operar seus materiais,

mas também os modos parecem instáveis e tudo se redescobre a cada instante.

Sim, parece que alguns fragmentos de corpo persistem e voltam. Algumas qualidades.


Queria poder me ver de fora em todas essas experimentações.

O que o corpo pode comunicar?

Como as coisas se traduzem em dança? matéria, pulsação, pensamento, movimento.


A Tayná falou sobre a dificuldade na escrita, as palavras podem controlar mas podem libertar.

Quando eu escrevo em fluxo parece que tudo é possível e o sentido acontece em outras esferas. Também a escrita é o nascimento de uma nova obra, outra, de outra materialidade, e não uma tradução. Mas essas obras outras emergem da urgência de um mesmo corpo, e por isso dialogam e fazem-nos entendem melhor essa coisa-sample.


Como o corpo de a.g.o.r.a neste momento afeta o sample?


Semana passada eu me sentia naquele agora cansada, sem energia nenhuma, desanimada. Era o corpo que estava lá aquele dia.

Como eu uso isso?

O que isso diz sobre mim?

O que já está e permanece?

O que está no corpo nesse momento da vida para além do dia de hoje?


Mas também o dia de hoje é um fragmento desse momento todo e diz algo sobre o que de fato eu quero dizer. Sobre o que de fato o corpo pulsa para mover. Corpo de ontem e o corpo de hoje, uma continuidade, uma linha, um caminho em direção a..?

*

Eu controlei os tempos e as dinâmicas semana passada e foi estranho, me deixou ansiosa, controladora demais, e por incrível que pareça o tempo deu totalmente errado. Tempo é uma coisa meio mágica mesmo, alguma coisa deu errado no tempo que eu tentei controlar. Enfim. Isso na verdade diz muito sobre o que eu quero dizer.

*

O corpo não é só o corpo. Corpo-ambiente-contexto-interno-externo. Isso é tudo, de fato, uma mesma coisa. Dentro fora tudo se relaciona, se contamina, se modifica em movimento contínuo.

Por isso, o meu corpo daqueles agoras das segundas à noite, a busca e experimentação do sample é conduzida e provocada pelo corpo Estela, pelas músicas-ruídos que se apresentam, pelos outros corpos na sala. É uma criação coletiva também.


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