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Sair de si entrar em contato consigo


Ritual de destruição e morte do nosso querido objeto naquele primeiro momento. O fluxo de sangue vai direto as mãos que procuram despedaçar aquele CD. O despedaçar provoca arrepio e tremor na espinha como consequência do medo involuntário do meu corpo de se machucar ao despedaçar aquele material que não sei o nome, mas lembra vidro e plástico. Sei que começamos a nos amigar depois de um tempo, não tenho mais medo porque sei que não é vidro, e ele também não tem mais medo porque agora me provoca sabendo que não vai ser despedaçado até o fim. Até que eu o surpreendo roendo aquela tinta que parece toxica e que já estava ali por anos e iria permanecer por mais tantos anos incontáveis talvez, e que vão direto para meu estômago. Que tem me parecido o âmago de todas as coisas mesmo. Âmago amigo e por vezes inimigo. Lutamos muito internamente sendo esses bichos que somos. Ela roía a vela e a cera feito bicho esfomeado.

Ritual de agradecimento por termos destruído com tanta proeza tantas coisinhas que pareciam intrínsecas a nós. O altar mais belo de todos, eu nunca havia plantado um altar. Que imagem bela.

Ritual de concentração, nós mesmos em si. Em nós. Viramos cabeças, cabeças de bois que riem e caem no sem fundo do oco do cú novamente a viagem alucinante tontura enjôo chegamos na terra dos touros quase batemos. Cervical bem menos solta do que queria, olhos que se fixam por vezes e o comando era o contrário, corpo estabanado, joelhos ao chão, quedas, delícia de piruetas as vezes. Segurar a cabeça da Fabi era impossível, ela se guiava sozinha, e eu tinha medo de seu peso, minha autodesconfiança ali novamente, eu nunca seria capaz de segurar a cabeça de alguém.

Enterramos juntos juntos juntos animais que devoram se olham se entreolham se esganam comem.

Foi complicado virar bando em meio a tanto caos interno, mas muito bom quando clavícula era junto da outra e só era se junto, e respiração o mesmo, e salto o mesmo, e grito o mesmo. Só era se junto, e caso saíssemos dava pra pegar de volta o redemoinho ou cabeça gigante giratória em confusão. Estávamos enjoadas todoas juntos. Tenho pouco o ímpeto de jogar alguma proposição ali mas me sentia contemplado, a não ser quando julgava ser representação e ai eu saia totalmente mesmo.

No último respiro de delírio mais solitário e intenso, parece que se perdurássemos ali, se eu perdurasse ali, poderia entrar em contato com algo ancestral. Qual seria o máximo de minha tontura? Repetia impulsos de um lado pro outro sem girar, mas a cabeça já não norteava mais nada, nem o som, nem o chão. Eram socos graves. Sair de si entrar em contato consigo. Meu pulmão apertava durante todo esse derradeiro momento, já não suportava mais ar vindo pela boca e pelo cu, menos pelo nariz. Era um vulcão em erupção, doía, sentia os últimos resquícios da gripe que virou inundou catarro nele todo. È o fim.


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