Reflexões expeditas e caóticas sobre as questões apresentadas, os textos lidos e as experiências

16 mulheres e 1/2_Fabi 18.03.19


1 _ Reflexão expedita e caótica

Qualquer situação está em algum contexto, seja territorial, político, social. Não há como se fugir dele. A ação insistente e repetitiva de “experimentação/criação/transbordamento do deboche” está, portanto, contextualizada. Existe um referente. Para além dele, há outras referências presentes na ação - objetos cênicos, som, especificidades de movimento propostas pelx artista. As primeiras perguntas para mim, então, são: Qual o referente a ser escolhido para o deboche? Qual a estratégia para fazer transbordar a intensidade de ser e de estar, a partir de um problema e chafurdando nele, como afirmou Quito (Cristiane Paoli Quito) no vídeo? Como assumir o fracasso e a inadequação em seu sentido pleno?


2 _ Reflexão caótica 2

Fazer paródia de si já é uma questão. Como traz Agamben, algo que de sério é transformado em cômico e que conserva elementos formais em que são inseridos conteúdos novos e incongruentes. Porém, debochar do outro que já está debochando de si mesmo é ainda mais complexo. Qual a possibilidade do cômico ser transformado em mais cômico? Fiquei pensando na última conversa de terça... e algumas questões ficaram muito fortes para mim:

a. minha dificuldade de ser e estar - temas presentes nos programas performativos - quando a informação principal ainda não está dada e é partilhada a cada novo momento em uma enxurrada de novas referências externas. Como lidar com referentes líquidos e efêmeros? Como estar em si se a atenção está sempre fora, tentando responder - fracassadamente e não na intensidade do ser fracassado e inadequado - a milhares de incentivos externos?

b. a potência do contraponto de uma ação muito precisa e insistente em si mesma em relação à ação debochante. “Ação precisa” no sentido de se ater a sua própria e crua resistência e insistência. Ação que não se permite desenvolver caminhos e narrativas longas. Ela é curta, direta, objetiva, talvez até mesmo enfadonha... Mas permite ao debochante ter o tempo para alcançar a inteireza de ser e estar. Assim a inteireza do corpo-deboche em contraposição com a ação referente é potência. Simplesmente acontece.

c. a intensidade do ser e estar pode ter uma pista no ou mesmo ser o corpo-deboche. Esse é para mim algo inteiro, algo que transborda sem procura, sem racionalidade, que simplesmente é, como disse Quito. Talvez para se chegar ao corpo-deboche, seja necessário passar pelo corpo que debocha. Seria este um corpo que racionaliza? Que percebe o referente, o problema e se permite chafurdar nele para então alcançar a inteireza do corpo-deboche?

d. Qual o deboche que funciona? Existiria mesmo uma fisicalidade do deboche ou esse dependeria da inteireza do corpo-deboche e de referentes comuns ao corpo que assiste? Segundo Viesenteiner, a ironia não transfigura, mas interpreta. Ela é dialética e constrói a representação fixa. O humor, ao contrário, abole as significações no instante em que se desprende e contra-efetua o próprio acontecimento. Talvez eu não tenha alcançado nem a ironia ao debochar de mim mesma. Ou essa é uma ironia própria dos meus referentes, mais escuros e sombrios.

3 _ Reflexão expedita 2

O corpo na ação de estar em festa, em bando, no caos e na alegria para mim é o mesmo do corpo no/do carnaval. Penso que ele é intensidade plena, mas não necessariamente deboche. Ele é deboche quando alguém externo o lê assim por conta do contexto.


4 _ Reflexão final e derradeira

Muitas perguntas e nenhuma certeza.




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