Olho no olho do boi selvagem que não foi adestrado

PRIMEIRAS TENSÕES E DESDOBRAMENTOS A RESPEITO DO DEBOCHE BRASIL - MARÇO/2019

Questões I (Encontro 04/02/19) – Aqui respondidas em fluxo, 3 minutos cada uma. Podemos juntos encontrar outras saídas? Como sair do estado de apatia e re-existir por meio da ironia e do deboche? Como captar do outro o que é pura intensidade?

Como se permitir ser tomado pela força de uma ação, criando uma espécie de transe, em

êxtase com o outro? Como fazer do corpo FESTA ?


1–

Juntos e somente juntos é possível a saída, fora do buraco que não seja o de minhoca.... e as saídas são múltiplas e nos levam a diferentes lugares por isso imprescindível que seja uma saída em comum, se juntos. E não apenas qualquer uma escolhida aleatoriamente ou individualmente. A troca, a liberdade e a escuta devem ser juntos também e juntas. Coletivamente mesmo sem gostar dessa palavra, que apenas não gosto esteticamente.

2–

Busco essa resposta faz um tempo pois me encontro em estado de apatia (ainda bem que reflexivamente me questiono todo dia) faz tempo... há algo de um esgotamento das forças e das palavras e das imagens em mim que poderiam suscitar caminhadas longas pela resistência. O Como talvez seja a resposta mais difícil nesse momento e buscar por um começo disso ou algo que seja quase isso, e toque num tendão minúsculo disso já sirva... como debochar genuinamente, e persistir? Encontrei gritos comuns em caminhadas comuns, algo de grotesco e belo e caótico e sem muitas justificativas ou temas, algo semelhante... distopias talvez, mas não sempre, tem que ser cuidado... mas é caótico, é suado, é sem fim atento, cuidado.

3–

Olho no olho do boi selvagem que não foi adestrado... sangue no olho, suor, saliva, línguas, poros, orifícios. Captar a intensidade tem a ver com proximidade, quentura, rouquidão, implosão. Tem a ver com dar um salto ao mesmo tempo que o outro no mistério, procurando a queda juntos, pra sentir o que bate mais forte, o que bate junto. Tem a ver com sentir colado os tremores da pele, do mundo, do arrepio e do vento, bater palma ao mesmo tempo.

4–

Com o outro torna tudo mais complexo ao meu ver, mas é na escuta da ação e da percepção do outro, poucas palavras, contato e respiração que se aproxima de um sentimento junto diante do êxtase. Esse algo externo que arrebata e comove imensamente todos os fluidos do corpo em uma direção comum. E que seja assim no outro e em si, fluidos caminhando junto ao precipício, que vertiginosamente deve libertar alguns nós.

5–

Vibração sonora coletiva arrebatadora que liberta sente o ar olha em volta segue junto. O tempo gira em um só, o salto não se premedita, o encantamento permanece sob a ótica de todxs, algo vibra e pulsa em ritmos e batidas persistentes. O corpo festa resiste à chuva e mostra e está, corpo festa é presente da ação e do aqui agora, é criança, corpo festa é nostalgia, libido e tesão. Tudo nessas direções possibilitam o corpo festa. Que é o mesmo corpo cênico, que beira existências infinitas e possibilidades impensáveis.


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