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Arqueologias em transformação: "Não fazer pedra X coração"


Não fazer - Ato de abandono para que algo possa submergir", "rupturas que re-desenham", "metamorfose", "estar na materialidade do presente", "estar na experiência", "o que é estar preenchido". 


Os exercícios do Não-fazer, consistem na realização de ações destituídas de objetivos utilitaristas no espaço cotidiano. Nesse caso, o objetivo é desviar dos padrões habituais de ação no mundo e percepção de si mesmo e do entorno a partir do direcionamento da atenção para aspectos negligenciados.

*O trabalho "um momento para não fazer", foi o primeiro "não fazer" realizado no 16 mulheres e 1/2, na primeira janela poética desenvolvida em 2012. Os "não fazeres" foram propostas em que o corpo "desistia de agir", deixando que algo "agisse sobre ele". A pedra no peito foi realizada no processo das "janelas poéticas", e foi coordenada por Carolina Nóbrega a partir da concretude da relação corpo-objeto, inspirada no trabalho da artista Ana Mendieta, sendo, mais especificamente, uma releitura de "Burial Pyramid", uma video-performance de 1972, realizada pela artista plástica Ana Mendieta. 


Ana Mendieta cobriu seu corpo de pedras em uma ruína zapoteca em Yagul, no México. Conforme a artista respirava, as pedras se moviam. Aos poucos, Mendieta amplia o movimento toraxico da respiração, até que as pedras caiam de cima dela, revelando o seu corpo.

A releitura "um momento para não fazer", desloca a ação de uma ruína pré-hispânica - contexto no qual a artista mexicana busca tornar vivo ou mostra o quanto ainda vive o passado que habitou àquelas ruínas -, para o centro de uma megalópole como São Paulo, transformando radicalmente os sentidos da obra original de Ana Mendieta, para que algo inteiramente distinto se desenhe.  https://www.youtube.com/watch?v=ZU1lNG7-OCQ


NÃO FAZER: Pedra-coração

*Cada integrante se deitará no chão de olhos fechados, com apenas uma pedra no peito. O único movimento que se vê, é o balançar inseguro da pedra que sobe e desce conforme a respiração. O grupo se manterá deitado com a pedra até que não aguente mais, entrando em questão uma temporalidade subjetiva, impossível de mesurar - a ação dura tempo indeterminado.


1- Aquietar e manter o foco apenas na respiração até não aguentar mais.

2- Espreguiçar movendo com a presença da pedra. Escuta no espaço vazio\ entre corpo e pedra. Jardim em construção.

3- Percepção das grafias, imagens emergentes em relação à pedra- sustentar uma imagem/sensação até que ela se transforme em outra e assim sucessivamente.

4-Continuidade\Descontinuidade. Preencher/Esvaziar. Claro/escuro. Sei/Não sei.



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